
Projeto de lei de Renan Normando (Podemos), protocolada em fevereiro, cita estudo sobre liberação de hormônios no combate ao coronavírus. Já cientistas de Stanford concluíram que academias são o segundo lugar com maior chance de transmissão entre pessoas sem máscara. Academias estão proibidas no Pará. Reprodução/ TV Globo Um projeto de lei do vereador de Belém Renan Normando (Podemos) quer inserir academias de musculação, ginástica, artes marciais, natação, entre outras com práticas coletivas, como atividades essenciais mesmo com a Covid-19 em alta desde dezembro no Pará. O anúncio do projeto, que ainda não foi analisado pela Câmara de Belém, causou controvérsias nas redes sociais. Médicas infectologistas, ouvidas pelo G1, são contra a prática presencial nas academias por causa do atual cenário de alta da Covid-19 e sobrecarga nos sistemas público e privado de saúde. Desde o dia 10 de março, as academias estão proibidas, por decreto estadual, de funcionar. Já pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, usaram dados de movimentação de pessoas em 10 cidades dos Estados Unidos e concluíram que academias são o segundo lugar onde há mais chances de alguém se infectar com o novo coronavírus, sem o uso de máscaras e com reabertura de funcionamento. Este tipo de estabelecimento fica atrás somente de restaurantes de "serviço completo" , que são aqueles em que as pessoas sentam para comer e são servidas por alguém. O PL Normando publicou, em seu perfil no Instagram, que "entende o quão é importante os esportes e as práticas de exercícios físicos para contribuir no aumento da imunidade e amenizar as sequelas causadas pela Covid-19 e pelo isolamento social" e cita que as práticas pelas quais ele pede a liberação, após decreto estadual que proibiu as academias, devem observar e serem fiscalizadas quanto aos "protocolos e medidas de segurança sanitárias dentro dos locais". A publicação fala em estudos, sem citar a fonte, afirmando que "pessoas que praticam exercícios físicos têm menos chances de contaminação da Covid-19, pois durante o exercício o corpo libera o hormônio irisina que reduz a produção da proteína que transporta o coronavírus para nossas células". Um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), e divulgado em julho de 2020, sugeriu que o referido hormônio pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19. Segundo o estudo, a pesquisa foi feita com testes em laboratório, analisando uma linhagem de células e observando que a substância tem efeito modulador em genes associados à maior replicação do vírus no corpo humano. O trabalho foi publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology. Em nota, a assessoria do vereador disse que o projeto foi protocolado no dia 24 de fevereiro, "antes de serem dadas as novas medidas em Belém, por isso a solicitação que foi feita não se aplica ao bandeiramento preto atual". Ainda segundo a nota, o vereador "se posiciona a favor do 'lockdown' em um momento de aumento da ocupação dos leitos e reitera que o projeto não se posiciona contra a medida". Alto risco de contaminação Para infectologistas que acompanham o cenário da Covid-19 em Belém, o atual cenário não é propício para reabertura de academias. "Estamos em uma fase crítica com aumento expressivo dos casos da Covid-19, pela mais alta transmissibilidade das variantes e a exposição das pessoas. Há escassez de leitos e dificuldade de atendimento pelo número maior de pessoas doentes e a preocupação sobre a piora clínica e óbitos. Por isso, há necessidade de 'lockdown' para diminuir a concentração de pessoas e, consequentemente, a possibilidade de transmissão", explica a médica Helena Brígida. Ainda segundo ela, "as academias entram no rol de locais de aglomeração e de contato em espaço pequeno e de uso de aparelhos por várias pessoas em curto espaço de tempo. A população pode fazer exercícios respiratórios com supervisão de pneumologistas e fisioterapeutas, por exemplo. Mas academias não devem abrir. A atitude tem que ser individual e coletiva para controle da pandemia". Lockdown é medida extrema, mas de efetividade científica comprovada, afirmam entidades médicas Já a médica infectologista Marília Xavier também defende que "é o pior cenário de pandemia, com variantes altamente transmissíveis e academias devem permanecer fechadas". "Ambientes como academia são perigosíssimos para transmissão, assim como outros, então embora a gente saiba que atividade física é importante, até para evitar outras doenças, é preciso entender que o que nós estamos vivendo é ímpar. Não vivemos isso há mais de cem anos e não sabemos como isso vai evoluir, principalmente aqui onde não temos as vacinas suficientes, onde não temos o isolamento suficiente e as pessoas têm muita dificuldade de respeitar as medidas sanitárias recomendadas", ela afirma. A especialista conclui alertando que "as academias devem permanecer fechadas, e os profissionais e a população de forma geral devem entender o que está acontecendo, devem procurar fazer suas atividades físicas em casa, da melhor maneira do que for possível, mas neste momento, em que mesmo que o sistema abra novos leitos não é suficiente para atender a imensa transmissão, é bom que os exercícios físicos sejam feito em casa, com segurança". Entenda quais são as atuais restrições, segundo o decreto estadual: Novo decreto de restrições de funcionamento de estabelecimentos entra em vigor no PA
EmoticonEmoticon