
CDU teve desempenho ruim nos estados Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado seis meses antes das eleições para o Congresso (Bundestagswahl), previstas para 26 de setembro. Políticos do partido da chanceler da Alemanha se envolveram em escândalos por suspeita de enriquecimento ilícito. Restrições em razão da Covid-19 e dificuldades de obtenção das vacinas acentuaram descontentamento. O partido conservador da chanceler alemã, Angela Merkel, enfraquecido pela crise sanitária e um escândalo financeiro, sofreu uma dura derrota em duas eleições regionais neste domingo (14), seis meses antes das legislativas, de acordo com pesquisas de boca de urna. A União Democrática Cristã (CDU) registrou "um desastre" eleitoral, segundo o jornal "Die Zeit"; uma "derrota" que mostra que "não pode continuar assim", escreveu a revista "Der Spiegel". Nas regiões de Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado, o partido conservador obteve o pior resultado de sua história, segundo as projeções de boca de urna das emissoras ARD e ZDF. Pessoas acompanham os resultados das urnas na eleição estadual na cidade de Mainz, capital do estado Renânia-Palatinado, em 14 de março de 2021. Os alemães foram às urnas em duas eleições regionais importantes, em Renânia-Palatinado (em alemão, Rheinland-Pfalz) e Baden-Württemberg ARMANDO BABANI / AFP Em Baden-Württemberg, a CDU obteve 23,8% dos votos, contra 27% obtidos há cinco anos; enquanto na Renânia-Palatinado convenceu entre 26,9% e 27,5% dos eleitores, contra 31,8% em 2016, segundo ARD e ZDF. Embora os conservadores não fossem vistos como favoritos nesses dois estados regionais, liderados respectivamente pelos Verdes (Die Grünen) e pelos social-democratas (SPD), eles registraram um retrocesso notável a seis meses das eleições legislativas de 26 de setembro. As revelações em cascata sobre o chamado "caso das máscaras" e as críticas crescentes à gestão da crise de saúde anunciavam "sombrias perspectivas" eleitorais para os conservadores, opinou neste domingo o jornal popular "Bild". O CDU atravessa "sua crise mais grave" desde o escândalo das caixas pretas da queda do ex-chanceler Helmut Kohl no fim dos anos 90, estimam muitos cientistas políticos. Suspeita-se que dois deputados teriam recebido comissões pela compra de máscaras no início da pandemia do coronavírus, manchando a imagem do partido. Neste domingo à noite, o secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, disse que o partido terá "tolerância zero" para "qualquer um que tente enriquecer durante a crise". Segundo Ziemiak, o escândalo da máscara "teve um forte impacto" nos resultados das eleições regionais. Verdes e SPD lideram Cerca de 11 milhões de eleitores estavam aptos a votar na eleição parlamentar regional. Em Baden-Württemberg, uma região próspera e coração da indústria automobilística alemã, a vitória anunciada dos Verdes oferecerá um terceiro mandato a Winfried Kretschmann, de 72 anos, o único ambientalista que governa uma região alemã. Principal candidato dos Verdes, Winfried Kretschmann discursou enquanto os votos eram apurados em Stuttgart, no sul da Alemanha, no fim das eleições estaduais em Baden-Württemberg, em 14 de março de 2021 Marijan Murat / POOL / AFP A coalizão com o CDU, que dirige há cinco anos, costuma ser considerada o laboratório de uma possível aliança nacional entre esses dois partidos nas eleições de 26 de setembro. Os Verdes, que teriam vencido com cerca de 31% dos votos, segundo a pesquisa de boca de urna, terão assim uma boa margem para negociar uma nova aliança, com a CDU ou com os social-democratas, ou até com os liberais. Na região Renania-Palatinado, vizinha de França, Bélgica e Luxemburgo, as coisas também não deram certo para o partido da chanceler. Depois de acalentar a ideia de acabar com três décadas de dominação social-democrata, o CDU ficou muito atrás nas urnas da atual líder da região, Malu Dreyer, que obteve cerca de 34% dos votos e renovará seu mandato. Eleições estaduais na Renânia-Palatinado, na Alemanha: à direita, a candidata do Partido Social-Democrata (SPD) Malu Dreyer e, à esquerda, o candidato do partido conservador alemão CDU Christian Baldauf em 14 de março de 2021. ARMANDO BABANI / AFP Fartos das restrições Merkel, que esperava deixar o poder no auge de sua popularidade, vê seus planos contrariados pelas dificuldades do CDU e de seu aliado bávaro CSU. Dois deputados, Georg Nüsslein (CSU) e Nikolas Löbel (CDU), abandonaram nos últimos dias seus partidos respectivos por suspeitas de terem enriquecido graças à epidemia, ao agirem como intermediários com fabricantes na compra de máscaras. Em uma polêmica diferente, o conservador Mark Hauptmann renunciou na quinta-feira ao seu mandato depois de ser acusado de colocar publicidade do Azerbaijão no jornal regional que dirige. No passado, parlamentares do CDU foram acusados de receber dinheiro deste país rico em petróleo. Um deles perdeu recentemente a imunidade parlamentar. Em uma tentativa de apagar o incêndio, CDU e CSU deram o prazo até sexta-feira à noite aos seus parlamentares para declararem eventuais lucros com a epidemia. A polêmica chega no pior momento para os conservadores, que devem designar em breve seu candidato para a chanceleria. Armin Laschet, novo líder do CDU, aspira suceder Merkel, embora o presidente de Baviera, Markus Söder, possa ter a mesma ambição. O caso das máscaras aumentou ainda mais o cansaço de milhões de alemães com as restrições e que duvidam da estratégia do governo. As dificuldades de obtenção das vacinas contra a Covid-19 só têm acentuado o descontentamento, tendo como pano de fundo o aumento das infecções nos últimos dias. As autoridades de saúde não escondem sua preocupação com o possível início de uma terceira onda.
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