Médicos de SP dizem que estão esgotados com trabalho contra Covid-19 e que compartilhar fake news prejudica combate à doença


Pesquisa da Associação Paulista de Medicina ouviu 2.052 profissionais do estado entre dezembro e janeiro. Para 93,6% dos médicos, compartilhar conteúdos sem comprovação técnica ou notícias falsas interfere negativamente no enfrentamento à Covid-19. Médicos da linha de frente estão no limite, mostra pesquisa Uma pesquisa feita pela Associação Paulista de Medicina (APM) divulgada nesta terça-feira (2) revelou que 92,8% dos médicos de São Paulo sentiram ou perceberam em colegas de trabalho sintomas de esgotamento físico e emocional diante da pandemia de Covid-19. O levantamento, que ouviu 2.052 profissionais do estado entre dezembro de 2020 e janeiro deste ano, mostrou ainda que fake news prejudicam o combate à doença. Para 93,6% dos médicos, compartilhar conteúdos sem comprovação técnica ou notícias falsas interfere negativamente no enfrentamento à Covid-19. O médico José Eduardo Dolci, reitor das faculdades da Santa Casa de SP, acompanha os médicos que enfrentam a pandemia todos os dias, e disse que eles estão no limite da resistência. “Estamos cansados, estamos esgotados, a nossa vida como ser humano, na família, fica difícil. Porque a gente tá todo dia convivendo com angústia, com incerteza, com sofrimento e com gente morrendo nos hospitais”, disse José Eduardo Dolci. “Todos nós temos um limite, uns menos outros mais. A gente espera que alguns tenham um limite maior pra tolerar trabalhando por um período, na minha visão, de seis meses pela frente, com ainda dificuldades”, concluiu. Médicos cuidam de paciente internado com COVID-19 (coronavírus) na UTI do Hospital Albert Einstein em São Paulo no dia 16 de novembro de 2020 Nelson Almeida/AFP Os médicos entrevistados também disseram acreditar que a pandemia de Covid-19 está piorando em São Paulo. 94,5% deles relataram existir uma tendência de alta no número de casos nos lugares onde trabalham e 70,4% notaram uma tendência de aumento das mortes. Em relação à desativação dos hospitais de campanha, 79,5% desaprovaram a medida porque acham que a pandemia está longe do fim. Além disso, 80,9% dos entrevistados disseram que está ocorrendo uma segunda onda tão ou ainda mais grave do que a primeira. Para o presidente da APM é fundamental começar a treinar mais profissionais de saúde para atuar na linha de frente do combate ao coronavírus antes que faltem médicos para atender os doentes. “É necessário também nós começarmos a trabalhar na organização de equipes suplementares, treinar recursos humanos para que possamos trabalhar num sistema de rotação. Estamos assistindo a uma falta grande de profissionais de saúde, médicos particularmente”, disse José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina. VÍDEOS: Tudo sobre a Grande SP

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